Publicado em 29/10/2007 | Química
A edição de 22 de Outubro da revista Nature é acompanhada
por uma notícia intitulada «Greenhouse-gas
levels accelerating
»,
que dá conta de uma aceleração no ritmo de emissão
de CO2 para a atmosfera. Enquanto na década de 90 se verificou
um aumento anual das emissões de cerca de 1.3%, o boom económico
do século XXI - especialmente na China e na Índia - foi acompanhado
por um boom equivalente nas emissões de gases de efeito de
estufa, cerca de 3.3% ao ano a partir de 2000.
Pep Canadell, que lidera o Global Carbon Project e publicou um dos estudos
analisados
nesta notícia, sugere que os tanques de carbono
da Terra, especialmente
os oceânicos, já não funcionam tão eficientemente
como em meados do século passado e, por isso, menos CO2 atmosférico é retirado
do sistema:
«Há cinquenta anos, se emitíssemos 1 tonelada de CO2, os tanques [como os oceanos] removiam 600 quilogramas. Agora removem 550 kg e esta quantidade está a diminuir».
Outro dos artigos mencionados na notícia da Nature, publicado no Journal of Geophysical Research, reitera as afirmações de Canadell. Ute Schuster e Andrew Watson, da Universidade de East Anglia em Norwich, utilizaram dados recolhidos por instrumentos colocados em navios comerciais para concluir que, em algumas zonas do Atlântico Norte, a capacidade do oceano para remover CO2 diminuiu para menos de metade, desde meados dos anos 90.
A descoberta dos dois cientistas surge apenas três meses após
outra equipa ter descrito que o mesmo se passa no Oceano
Polar Antártico
.
Esta diminuição drástica na capacidade de absorção
de CO2 nos oceanos sugere que nem o tratamento de emergência
prescrito por James Lovelock para a «patologia do aquecimento global» será suficiente
para reduzir os níveis de CO2 na atmosfera terrestre.
Fonte: De Rerum Natura ![]()