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Ferro Básico

Publicado em 10/04/2008 

O ferro e a Vida

Considerado o mais importante elemento de transição, o ferro constitui um metal essencial para a maioria dos organismos vivos, e em particular para o ser humano.

A história do ferro na medicina surge com Cláudio Galeno, um médico grego que viveu durante a segunda metade do segundo século DC. Começou por utilizá-lo como laxante, ainda que hoje em dia o ferro seja conhecido precisamente pelo efeito oposto. É preciso avançar mais de 1450 anos para se encontrarem dados históricos que incluam o ferro na medicina ou farmacêutica.

Em 1745 um médico italiano (Vincenzo Menghini) prova a existência deste elemento no sangue humano. A sequência experimental deste investigador consistia em alimentar cães com preparados de ferro, drenar-lhes o sangue, secá-lo e, posteriormente, queimar a pasta seca. O resultado foi realmente espantoso. Ao sujeitar as cinzas resultantes a um campo magnético confirmou a sua hipótese. Com esta descoberta inicia-se a história do ferro na saúde.

É claro que a prova da existência de ferro no sangue humano, foi apenas o começo da descoberta pois a resposta à pergunta “Qual a utilidade do ferro nos vasos sanguíneos?”, foi alvo de investigação durante anos a fio. Em 1832, um médico denominado Bland descobriu que era possível curar a anemia, utilizando sulfato de ferro (II). A partir desta crucial descoberta, a imagem do ferro começou a ser frequentemente associada ao bem-estar físico e à saúde.

O ferro deve fazer parte de uma dieta equilibrada e existem diversas fontes de ferro na nossa alimentação do dia-a-dia. No entanto a capacidade que o organismo tem de absorver o ferro contido nos alimentos depende muito da forma como este se encontra, sendo mais fácil a sua absorção a partir da carne, por exemplo, do que dos vegetais. O ferro é propositadamente acrescentado como aditivo em diversos alimentos, nomeadamente os flocos de cereais.

Como parte integrante da hemoglobina, o pigmento proteico que confere a cor vermelha ao sangue, este metal torna possível o funcionamento do sistema de transporte de oxigénio entre os pulmões, as guelras ou a pele de um animal e as suas células. O corpo humano possui cerca de 4 g (em média) de ferro na sua constituição, sem os quais padece de anemia. Porém, por possuir maior afinidade com o monóxido de carbono, quando se encontra em excesso, o ferro pode provocar asfixia.

Sendo componente de diversas enzimas, este elemento viabiliza inúmeros processos bioquímicos fundamentais ao funcionamento metabólico dos seres vivos. Para além da respiração, permite ainda a execução de certas funções importantes, como por exemplo, a orientação espacial de certas bactérias, possível graças às propriedades magnéticas deste metal.

Estudos efectuados há pouco mais de uma década demonstram a importância do teor em ferro, presente nas camadas superiores dos oceanos, no crescimento do plâncton. Numa parceria entre o Reino Unido e os Estados Unidos, fertilizaram-se 60 km2 do Oceano Pacífico, a oeste das Ilhas Galápagos, com uma solução de sulfato de ferro. Os resultados foram impressionantes, tendo-se verificado um aumento substancial dos níveis de fitoplâncton e, consequentemente, de toda vida oceânica dessa região.

Esta descoberta veio proporcionar um novo alento, sobretudo às indústrias da área das pescas, possibilitando um novo equilíbrio para as zonas dos oceanos com exploração económica excessiva.

Ainda com base em experiências de enriquecimento em ferro dos oceanos do hemisfério sul, concluiu-se que o ferro, pelo favorecimento do crescimento da biomassa, possui um importante papel na diminuição da quantidade atmosférica de dióxido de carbono. Esta descoberta ressalta a importância do ferro na vida do planeta, considerando-se actualmente a possibilidade futura da fertilização oceânica com este elemento, provavelmente sob a forma de sulfato ferroso, um composto de fácil e barata produção.

Pelo papel relevante que possui na regulação da quantidade de dióxido de carbono, gás actualmente produzido em excesso pelas inúmeras actividades industriais humanas, poderá, a par de outras medidas, constituir parte da solução para um novo equilíbrio do ciclo do carbono terrestre.

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