e-escola

Fluorite Intermédio

Publicado em 02/03/2010 

Composição

MinérioGlossário de F

Mineral industrialGlossário

Outros minerais de flúor: Criolite, Apatite-(CaF)

Nome: Fluorite (Espato de flúor)

Fórmula química: CaF2 - fluoreto de cálcio

Teor teórico em F: 48.67%

Nomenclatura: o nome deriva do latim fluere, que significa fluir, devido ao seu baixo ponto de fusão, quando comparado com outros minerais com os quais se assemelha, sendo por isso amplamente utilizado em metalurgia como fundente. A designação espato de flúor deve-se ao facto do mineral possuir aspecto vítreo e ter clivagem fácil. No século XVIII era classificado como cal fluórica, um composto de ácido e terra calcária.

Cristais cúbicos de fluorite

Fig. 1 – Cristais cúbicos de fluorite púrpura interpenetrados. Mina da Panasqueira, Covilhã, Castelo Branco.

Composição química (Ref.): SiO2 0.05%; Mg 0.03%; Ca 51.24%; F 48.29%; Perda ao rubro 0.22% - ref. Corvara, Trentino - Alto Adige, Itália.

Teor comum em CaF2 ou F (qualidade ácida HF): CaF2 97% a 99%; Impurezas: SiO2 0.3% a 1%; CaCO3 0.65 a 1%; STOTAL 0 a 0.04%. Vestígios de As, P2O5 e NaCl.

Referências: a fluorite foi descrita em 1529 por Georgius Agricola, que evidenciou a sua aplicação como fundente, ou seja, para reduzir os pontos de fusão de metais ou minerais. Seguiram-se algumas experiências baseadas em ácidos derivados do mineral (HF), mas só em 1771 é que Carl Wilhelm Scheele identificou o flúor, não tendo contudo conseguido isolá-lo, devido à elevada reactividade do elemento. Esse feito foi levado a cabo muitos anos depois, em 1886, pelo químico francês Henri Moissan, através da electrólise do ácido fluorídrico anidro, misturado com sal de potássio (KHF2). A primeira produção comercial do flúor foi para a bomba atómica do Projecto Manhattan, para a obtenção do hexafluoreto de urânio, UF6, usado para a separação de isótopos de urânio.

Variedades e gemas
  • Blue John – variedade de abundância limitada que possui bandas irregulares de cor azul a roxo escuro e amarelas, daí a designação Blue John. Descrita pela primeira vez por R. Kirwan em 1785. Foi usada pelos romanos em objectos decorativos, que se empenharam também em fabricar imitações em vidro multicolorido. Ainda hoje é utilizada como gema, apesar da ocorrência onde é explorada (Castleton, Derbyshire, Inglaterra) estar quase esgotada. Uma variedade semelhante de fluorite bandada é extraída na China em depósitos recentemente encontrados.
  • Antozonite – variedade que possui uma cor azul-violácea negra, quase negra, caracterizada por emitir uma aroma muito forte que provocava dores de cabeça e náuseas aos mineiros. O cheiro deve-se à presença de flúor livre na fluorite. Por fragmentação, o mineral liberta cheiro a ozono, devido à reacção do flúor com o vapor de água, com formação de ozono e HF. Localidade importante: Wölsendorf, Schwandorf, Baviera, Alemanha.
  • Clorófano – variedade de fluorite com termoluminescência esverdeada. Descrita pela primeira vez por J. C. Delame Therie (1794). A cor do mineral à temperatura ambiente pode ser variável (ex. púrpura escuro); numa primeira etapa de aquecimento (até cerca de 220 ºC) o mineral emite cor verde azulada; por volta dos 330 ºC muda para magenta; com o aumento da temperatura sofre descoloração completa. Segundo uma lenda indiana, estas pedras eram transportadas pelas serpentes à noite com o objectivo de as verem brilhar.
  • Ratofkite – variedade terrosa de fluorite. Descrita pela primeira vez por G. Fisher von Waldheim em 1812. Localidade importante: Vereya, Ratofka, Moscovo, Rússia.
ScreenShot da Aplicação
Flash Icon
A visualização deste conteúdo requer a instalação do

Autor e Créditos

Autor:

  • Manuel Francisco Pereira
  • Elsa Vicente
 

Tópicos Relacionados

  • Lítio

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 14/11/2007 | Tabela Periódica | Básico

  • Berílio

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 06/11/2007 | Tabela Periódica | Básico

  • Flúor

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 05/07/2007 | Tabela Periódica | Básico

  • Magnésio

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 19/10/2007 | Tabela Periódica | Básico

  • Enxofre

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 11/11/2009 | Tabela Periódica | Básico

  • Potássio

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 12/11/2007 | Tabela Periódica | Básico

  • Ferro

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 10/04/2008 | Tabela Periódica | Básico

  • Nióbio

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 20/11/2008 | Tabela Periódica | Básico

  • Bertrandite

    Manuel Francisco Pereira; Elsa Vicente | 16/12/2009 | Minerais | Intermédio

  • Criolite

    Manuel Francisco Pereira; Elsa Vicente; Ângela Miguel; Catarina Matos | 05/01/2010 | Minerais | Intermédio

  • Barita

    Manuel Francisco Pereira; Elsa Vicente; Natália Menezes | 09/06/2009 | Minerais | Intermédio

 

Referências Bibliográficas

  • [1] Bateman A., Economic Mineral Deposits, John Wiley & Sons Inc., 2ª Ed., 1951.
  • [2] Blackburn, W.H. & Dennen W.A., Principles of Mineralogy, Second Edition, Wm. C. Brown Publishers, 1994.
  • [3] Carneiro F.S., Potencialidades Minerais da metrópole, base firme de desenvolvimentos industrial do país, Arquivos da Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos, 1971.
  • [4] Celso S. & Gomes F., Minerais Industriais: Matérias Primas Cerâmicas, Instituto Nacional de Investigação Científica, Aveiro, 1990.
  • [5] Cerný, P., Short Course in Granitic Pegmatites in Science and Industry, Ed. P. Cerný. Mineralogical Association of Canada Short Handbook, 1982.
  • [6] Clark, A.M., Hey’s Mineral Index: Mineral Species, varieties and synonyms, 3ª. Ed., Chapman & Hall, 1993.
  • [7] Constantopoulos, J.T., Earth Resources Laboratory Investigations, Prentiss-Hall, 1997.
  • [8] Dud’a, R. & Reij.L, A Grande Enciclopédia dos Minerais, Editorial Inquérito, 1994.
  • [9] Edwards, D. & King, C., Geocience: Understanding Geological Processes, Hodder & Stoughton, 1999.
  • [10] Enciclopédia Minerais e Pedras Preciosas, RBA Editores, 1993.
  • [11] Gaines R., Skinner H., Foord E., Mason B., Rosenzweig A., Danas’s New Minerology, 8ª. Ed., John Wiley & Sons, Inc., 1997.
  • [12] Galopim de Carvalho, A.M., Sopas de Pedra: De Mineralibus, I, Gradiva Publicações Lda., 2000.
  • [13] Gaspar L. M. & Inverno C. M. C., 2000, Mineralogy and Metasomatic Evolution of Distal Strata-Bound Scheelite Skarns in the Riba de Alva Mine, Northeastern Portugal, 95, 6.
  • [14] Gomes, C. L. & Nunes, J. E. L., Análise paragenética e classificação dos pegmatitos graníticos da cintura hercínica centro-ibérica, in “A Geologia de Engenharia e os Recursos Geológicos”, Imprensa da Universidade, Vol. 2 – Recursos Geológicos e Formação, Coimbra, 2003.
  • [15] Harben, P.W. & Bates, R.L., Industrial Minerals, Geology and World Deposits. Industrial Minerals Division, Metal Bulletin PLC, London, 1990.
  • [16] Harben, P.W. & Kuzvart, M., Industrial Minerals, A Global Geology. Industrial Minerals Information Ltd, Metal Bulletin PLC, London, 1996.
  • [17] Hurlbut, C.S. Jr., Les Minéraux et L’ Homme, Éditions Stock, Paris, 1969.
  • [18] Hurlbut, C.S. Jr. & Switzer G.S., Gemology, Johnn Wiley & Sons, Inc., 1979.
  • [19] Klein, C. & Hurlbut C.S., Manual of Mineralogy (after James D. Dana), Revised 21ª. Ed., John Wiley & Sons, Inc., 1999.
  • [20] Manutcherhr-Danai M., Dictionary of gems and geomology, Springer-Verlag, 2000.
  • [21] Mendes, H. S. & Silva, M. I., Mineralogia e Petrologia – Segundo as lições do Prof. Eng. Luís Aires de Barros, Edição da Secção de Folhas da A.E.I.S.T., 1965.
  • [22] Pereira, M.F.C, Análise estrutural e mineralógica do aparelho pegmatítico de Pereira de Selão (Seixigal) - Vidago (N de Portugal), Tese de doutoramento em Engenharia de Minas, Departamento de Minas, IST-UTL, Lisboa, 2005.
  • [23] Putnis, A., Introduction to mineral sciences, Press Syndicate of the University of Cambridge, 1992.
  • [24] Staff of U.S. Bureau of Mines, Mineral Facts and Problems, 1985 Edition, Bulletin 675, United States Department of the Interior, 1956.
  • [25] Velho J., Gomes C. & Romariz, Minerais Industriais, Geologia, Propriedades, Tratamentos, Aplicações, Especificações, Produções e Mercados, Gráfica de Coimbra, Coimbra, 1998.
 

Para comentar tem de estar registado no portal.

Esqueceu-se da password?

© 2008-2009, Instituto Superior Técnico. Todos os direitos reservados.
  • Feder
  • POS_conhecimento