Publicado em 02/03/2010
O flúor é um elemento relativamente abundante na crosta terrestre. O valor médio nos andesitos e nos granodioritos é cerca de 650 ppm, sendo inferior nos basaltos e gabros e superior nos riolitos, granitos e pegmatitos graníticos. Algumas rochas intrusivas e extrusivas alcalinas contêm quatro vezes mais aquele valor. Existe uma grande afinidade entre o F e alguns elementos químicos raros (Be, Li, Mn, Nb, Sn, W, U, Y, Pb e Zn), daí que a presença abundante de minerais de flúor acarreta quase sempre a presença de outros minerais economicamente interessantes. Como o raio iónico do F (1.36 Å) é semelhante aos raios iónicos dos iões hidroxilo (1.40 Å) e oxigénio (1.40 Å), estes substituem-se frequentemente na estrutura dos minerais. No conjunto dos minerais com teores elevados em F, a fluorite é o mais importante, devido à sua abundância. Os outros minerais também significativos são a criolite (elevado teor mas pouco abundante) e a apatite-(CaF) (muito abundante mas com teor muito inferior).
A localização espacial dos depósitos minerais de F sugere que este elemento é concentrado pela diferenciação do manto, ascendendo depois para os níveis mais superficiais da crosta (desgasificação) ao longo de falhas muito profundas. Ao nível da crosta, o F concentra-se sobretudo em soluções hidrotermais e pneumatolíticas, abrangendo assim uma ampla gama de temperaturas e pressões.
A fluorite ocorre em ambientes geológicos muito diversificados, aos quais correspondem diferentes condições físico-químicas. Os depósitos economicamente mais importantes são de origem hidrotermal, mas a fluorite pode surgir de forma disseminada em muitas rochas comuns. De acordo com Harben & Kužvart (1996), as principais categorias de depósitos minerais com fluorite são as seguintes:
Depósitos hidrotermais
Fig. 3 – Depósitos do tipo Mississipi Valley. A mineralização fixa-se nos níveis calcários, em locais onde a rocha se encontra muito brechificada.
Fig. 4 – Filões hidrotermais com morfologia tabular-lenticular alongada, concordantes ou discordantes com as estruturas regionais. Adapt. Bateman (1951).
Depósitos pegmatíticos
Tipicamente em pegmatitos enriquecidos em F (tipo NYF). A fluorite é geralmente tardia e as variedades bem cristalizadas e de qualidade óptica surgem em cavidades miarolíticas, localizadas nas zonas mais internas dos corpos. Abundância muito limitada.
Depósitos de infiltração
Localizam-se em fracturas e cavidades originadas por carsificação. A fluorite é granular fina, tem cor escura devido à presença de matéria orgânica, e alterna com finos leitos de calcedónia ou outros produtos finos (diásporo e goethite).
Depósitos residuais detríticos
Podem ser do tipo eluvião ou coluvião. Constituem formações argilosas ou arenosas, originadas pela meteorização de depósitos preexistentes.
Carbonatitos e rochas magmáticas alcalinas
Estas rochas, de ocorrência mais limitada, para além de apresentarem enriquecimento em F (fluorite, apatite-(CaF)), caracterizam-se pela presença de metais raros (ex. terras raras).
Sedimentares (vulcanosedimentares)
A fluorite pode formar-se precocemente em depósitos evaporíticos, juntamente com anidrite, gesso e calcite, mas a quantidade é geralmente muito reduzida. Os depósitos economicamente interessantes são de origem vulcanosedimentar - lamas piroclásticas acumuladas em ambiente lacustre.
Nos filões ou depósitos de sulfuretos metálicos de chumbo, zinco e cobre, a fluorite, assim como a calcite, barita e produtos siliciosos, constitui a ganga. Nos processos de alta temperatura a fluorite é tipicamente acompanhada pela moscovite, quartzo, apatite, zinvaldite, turmalina, topázio, criolite, cassiterite e volframite.
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